domingo, 14 de outubro de 2007

O Jardim Perdido

"Perdido estou
Rumo ao nada
Tentando entender
O que restou
O sol some lentamente
Dando seu lugar
Para tempestade
Vestida de noiva
Com a branca névoa caida
Sobre seu corpo
Ao longe quase invisivel
Posso ver uma entrada
A porta entreaberta
E um vulto a mim chamando
Sem direito entender
Me aproximo lentamente
E mesmo perto
Não posso ver
Além de um vulto
Com corpo feminno
Então ela adentra vagarosamente
Quase como que flutuando
E extasiado à acompanho
Um lugar lindo
Um jardim perdido
O jardim dos mortos
A paisagem de flores e rio
Se contrastam
Em meio a belas lápides
E grandiosos mausoléus
Tento chama-la
Mas minha voz falha
Nem um A sequer
Consigo pronunciar
Então levanto as mãos
Procurando-a
Tentando tocar-lhe
E uma voz angelical
Me surpreende
"Não posso ser tocada,
Mas posso tocar-lhe,
E ao mais leve toque,
Sua vida será minha.
Deseje-me ardentemente,
E serei sua amante
Por toda eternidade,
E então minha pele
Poderás sentir."
Naquele exato momento
em meio a chuva
Que caia sobre minha pele
Meu corpo foi tomado
Por um calor intenso
E meu coração ardeu
Desejando-a, amando-a
E a loucura tomou conta
De todo meu ser
E o tempo deixou de existir
A minha volta
Tudo parecia um filme
Passando lentamente
E então tudo foi se apagando
Apenas a escuridão chegando
Uma sensação mágica
E assim cai, lentamente
Inconciente, adormecido
A chuva agora
Ja não era tão gélida
Meu corpo repartia
Da mesma temperatura
De repente
Sou surpreendido por uma luz
E mesmo adormecido
Podia ver essa luz
E senti como se fosse
Finalmente completo
Então podia ver tudo claramente
E me levantei
Deixando para trás
Apenas um corpo
E nada mais
E agora podia ve-la em meio a luz
Um anjo em todo seu explendor
E assim me entreguei
Em seus braços
Ao seu amor
Por toda eternidade..."
Ezequiel Dalfre - 14/10/2007 (22:45)