segunda-feira, 23 de julho de 2007

Sonhos


"De súbito, sento-me
A cabeça baixa
Os olhos não ousam levantar
O som dos seres noturnos
Rompem o silêncio
As lágrimas ameaçam rolar
E ao fundo
Além do real
Posso escutar
Numa canção medieval,
A consagração da solidão
A chuva toca minha pele
Anestesiada pelo frio
Pálida, gélida, sem vida
A dor é tão intensa
Quanto a solidão em mim
As lágrimas se afloram

E nada vejo senão borrões
Do que um dia foi vida
E que agora se entrega a morte
Por meus pensamentos
Se passam todos os momentos

Todos os desejos
Tudo que havia se perdido
E sussurra o que ficou
A loucura toma conta
Vejo meus braços
Banhados de vermelho

O sangue jorrando
Como fora antes
Em tantas ocasiões
A lucidez me escapa
Assim como a vida
Me abandona aos poucos
Cansado, me deito
Sobre essas rosas negras
E sobre suas pétalas e espinhos
Faço meu jazigo
Velando meu corpo
Enquanto minha alma
Parte livre
Buscando seus sonhos..."
Ezequiel Dalfre 23/07/2007