domingo, 22 de abril de 2007

Alone


"A dor intensa chicoteia sua pele
Cortando bruscamente sua carne
O sangue corre lentamente
Procurando um lugar para repousar
A solidão parte cada milimetro de seu interior
Seus joelhos tocam o chão
Suas lágrimas congeladas pelo frio
Machucam seus olhos
A sua volta apenas sussurros
Sussurros de uma triste canção
Guiada por um violino
Entorpecido tenta gritar
Seu grito ecoa alto
Mas ninguém pode escutar
Um dia sonhou
Mas na escuridão acordou
E na solidão se postou
O silêncio abraçou
E apenas isso restou
Apenas essa dor
Que até este momento, o guiou
E de suas lembranças
O pesadelo se faz vivo
Mas seus gritos
Ninguém nunca escutará
Pois todos são surdos a sua voz
Todos são cegos a sua existência
E frente a sua simplicidade
Todos emudeceram
Assim o sangue jorrou
Num ritual clamando um momento
Momento este
Que agora pode reconhecer
Com essa bela melodia do violino e dos murmurios
Esta melodia angelical que o toma nos braços
E ali ja pode sentir a levesa de sua presença
E visualizar o seu futuro lar
O sepulcro que antes costumava visitar
E ali ela aparece
Para em seus braços o tomar
E o beijo fatal
Vem antes mesmo
De a primeira gota de sangue
O chão tocar..."
Ezequiel - 22/03/2007 - 22:50

domingo, 15 de abril de 2007

O Encontro

O despertadou tocou mais cedo do que de costume, era um dia comum, mas hoje ele não poderia se atrasar, ainda meio que preguiçoso, ele se levantou. Dopado ainda pelo sono, começou a se preparar para seu dia, como de costume demorou-se no seu banho,, tomou sua xícara de café, pegou algumas coisas que iria precisar levar e pois numa bolsa, e saiu de casa sem se preocupar.
Hoje, se dirigia a um lugar especial, sentia necessidade de sua presença, precisava visita-la, havia muito tempo que não se viam, fazia muito tempo que não a visitava e havia muita coisa para ser dita. Apesar de todo o tempo, a lembrança da ultima vez em que se falaram ainda era recente, o tom de suas palavras ainda ecoavam como música em sua lembrança, seu olhar penetrante e triste ainda brilhava na escuridão dos pensamentos e as palavras da ultima carta que recebera dela, eram como um punhal rasgando sua carne, sua alma.
Chegou cedo para o encontro, mas encontrou a casa aberta, sem pensar em nada foi entrando, se aconchegou no primeiro canto que encontrou de frente para foto dela. Ficou ali parado encarando a foto, enquanto num choro silencioso compartilhava da mesma dor daquele retrato.
Ali as horas demoravam-se a passar, bebia suas lágrimas como se fosse o mais doce vinho branco que ja bebera, e assim passou o dia, daquela forma, ali parado, esperando, até que, ja embriagado pelas lágrimas, criou coragem.
Olhou para o túmulo dela, e por todo cemitério a sua volta, arrumou o local, pegou umas rosas novas que levara, junto com outras que achara ali por perto, e substituiu as velhas, enfeitando a lápide dela, enfim encarou mais uma vez a foto e disse: "enfim estou pronto para o nosso encontro, te amo" e rapidamente pegou uma faca que levara com ele, e sem se importar com mais nada cravou-a em seu coração...
Ela o esperava com os braços abertos, chamando-o...
Ezequiel Dalfre 15/04/07 - 01:16 AM



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domingo, 1 de abril de 2007

Cego, Surdo e Mudo

Domingo, apenas mais um domingo, como tantos outros que passaram... ao menos poderia ser... Hoje a tanto a ser dito, que foi deixado para tras... hoje a tanto a ser ouvido, que se foi calado... hoje a tanto para se ver que se fecharam os olhos..., mais do que se poderia esperar, tudo que se foi construido ou tudo que se foi esquecido, minuto a minuto, de pura lacivia entre a dor e a desilusão, abro os braços, é uma ponta de luz, os portões celestiais recebem meus pensamentos e em uma triste melodia os anjos cantam meu lamento... Hoje um dia como tantos, onde cada minuto você toma uma decisão, e cada decisão que você toma, muda tudo, eu tomei a minha, e sempre um novo caminho começamos a desbravar... Tão arduo e perpetuoso caminho, mas de tão recompensantes paisagens, musicas, ares, e tudo que ele pode oferecer para quem se oferece quando você se oferece a ele. A trilha mistica e selvagem... A chuva lava a alma que a dor marca e queima como o sol... tudo a volta é como a primeira vez, olhos inocentes, doce é o veneno, tão imbriagante como o vinho, caminho... caminho... caminho... o por do sol esta tão próximo, a solidão tão reconfortante, numa mão o doce vermelho do vinho, e na outra apenas um caderno vazio, caminho ... caminho... caminho... descalço até o por do sol alcançar... e assim nas pedras me sentar, enquanto o mar aos meus pés vem me presentear com sua ávida ternura meus pés tocar e em sua anciedade me agradar, então ali nas pedras, ja embriagado, com o caderno em punhos, é escrito, enquanto o sol se põe é revelado, revelado os segredos, revelado para as linhas, a angústia, os desejos mais profundos que como espinhos me ferem a alma, os anceios e as torturas... As páginas são preenchidas uma a uma, sendo assim o caderno seu fiel confidente, nesses dias que se foi cego, surdo e mudo... Talvez o que pensei estar perdido, ainda não esteja totalmente, talvez ainda exista, a esperança me enche novamente, e os ideais são tão vivos quanto ao primeiro dia de vida... Talvez um dia alguém esteja aki do lado, para ler essas linhas... E nesse dia... Mesmo cego poderei ver sua face... Mesmo surdo poderei ouvir sua doce voz... E mesmo mudo poderei dizer o quanto és tão importante, e te presentearei compartilhando da minha vida... compartilhando desse caderno...
Ezequiel 01/04/2007 - 21:20